Publicado por: Lohran Anguera Lima | 24/05/2012

Jadson André comenta lesão

Este artigo foi publicado no Site Waves.

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Antes de as baterias do round 2 do Billabong Rio Pro 2012 serem iniciadas, o brasileiro Jadson André aproveitou para treinar nas pesadas ondas que quebravam no Postinho da Barra da Tijuca. Já no final do seu freesurf, Jadson foi surpreendido ao tentar uma batida na junção.

O brasileiro conta que a onda, além de tê-lo derrubado, virou seu corpo por completo em baixo da água, provocando movimentos antianatômicos do joelho esquerdo. Imediatamente, Jadson saiu do mar chorando, tamanha a dor a qual acometia o atleta. Ajudado por algumas pessoas da praia, Jadson levantou-se e decidiu buscar opinião especializada sobre a lesão.

Levado ao centro médico, Jadson foi prontamente atendido. Mesmo constatada uma lesão nos ligamentos do joelho e sentindo fortes dores, o brasileiro fez questão de entrar na água e disputar a bateria. O americano Brett Simpson, adversário de Jadson, venceu o confronto por 9.33 a 8.60.

Após a bateria, ainda sentindo sérias dores e sem conseguir andar direito, Jadson comentou como se lesionou, além de ter relatado que, no dia seguinte, iria a São Paulo fazer exames complementares e verificar a gravidade da lesão.

Muito obrigado a todos,

Lohran Anguera Lima.

Jadson André sentindo fortes dores após a lesão. Foto: ASP/Dunbar.

Publicado por: Lohran Anguera Lima | 18/05/2012

Como funciona o centro médico do World Tour

Este artigo foi publicado no Site Waves.

Leia também: Quando CJ Hobgood foi ao centro médico

Uma pequena sala discreta, reclusa, bastante privada e ao lado da área dos atletas. Essa é a descrição do ambiente médico do Billabong Rio Pro 2012, terceira etapa do World Tour. Cabe ressaltar, com base na descrição supracitada, que esse centro médico não era de uso geral, mas de uso quase exclusivo dos envolvidos, diretamente, com o campeonato (atletas, acompanhantes dos atletas, imprensa, organização e demais funcionários). O público presente nas areias utilizava um posto médico externo ao palanque. Ao escrever “quase exclusivo”, refiro-me ao fato de que, caso necessário fosse atender alguém do público, a prática não lhe seria negada, obviamente.

A equipe médica do Billabong Rio Pro 2012 era composta por dois quiropraxistas (Jason Gilbert e Luiz Fernando Maestro), uma massagista (Maria Florencia, amplamente conhecida como “Flor”) e um médico socorrista. Jason Gilbert, um dos quiropraxistas, foi, também, o chefe da equipe médica deste ano.

Em meio a tantas práticas de saúde possíveis de serem realizadas no centro médico (nem todas as práticas médicas têm a sua realização recomendada para o local, a exemplo das emergências), os ajustes e as massagens recebem destaque devido a maior procura pelos usuários. Aliás, vale ressaltar que, sendo a procura por atendimentos tão grande, é comum a formação de filas de espera, podendo durar até 30 minutos. Obviamente, aos casos mais urgentes é dado preferência, a exemplo de Joel Parkinson, o qual procurou atendimento logo antes de entrar na bateria da semifinal contra Mick Fanning. É comum haver sessões de acupuntura e prescrição ou administração de medicamentos para viroses e dores em geral. Os traumas de cabeça e de coluna cervical, mesmo não sendo tão corriqueiros, são os que causam maior movimentação e alarde. Nesses casos em especial, aquela pequena e discreta sala torna-se o centro das atenções, abrigando mais de vinte preocupadas e curiosas pessoas concomitantemente, como aconteceu com CJ Hobgood em 2011.

Os atendimentos são iniciados assim que as disputas das baterias começam, mas não param com o encerramento das mesmas, visto haver procura até cerca de uma ou duas horas depois de terminadas as baterias do dia. Logicamente, o bom senso de todos permite a conclusão dos atendimentos próximo das 16h ou 17h, permitindo que os integrantes do centro médico consigam remar em algumas ondas antes do anoitecer. Atendimentos não são realizados em dias sem competição, com algumas exceções.

Embora os recursos dentro de um centro médico sejam limitados, fato facilmente notado pela mitigada equipe, os profissionais que o integram são de extrema competência. Casos não resolvidos no centro médico são devidamente encaminhados para hospitais da cidade do Rio de Janeiro.

Muito obrigado a todos,

Lohran Anguera Lima.

Publicado por: Lohran Anguera Lima | 17/04/2012

Pay-per-view no World Tour, estou pagando para ver

Pay-per-view no World Tour. Arte: Dadá Souza.

Quando a paz parecia instaurada no mundo competitivo do surf, surge a notícia, há alguns dias, diretamente da cúpula da ASP, acerca da possibilidade de se iniciar um pay-per-view no World Tour. A instituição em questão intenta, com brevidade, iniciar uma cobrança, de modo que os espectadores tenham de pagar para assistir aos campeonatos pela internet. O que sempre foi gratuito poderá, não dificilmente, tornar-se produto de consumo de alguns poucos entusiastas dispostos a abrir a carteira e doar esmolas a ASP. Funcionará? Creio que não.

A ASP anunciou essa possibilidade de cobrança fundada na assertiva de que é, financeiramente, muito custoso à instituição arcar com toda a tecnologia envolvida na transmissão de um evento. Realmente, o dinheiro demandado para tal prática não é irrisório, principalmente se projetarmos esses números sobre uma instituição pequena, decadente e desnutrida como a ASP. Entretanto, não me deixa nada satisfeito saber que o espectador é quem financiará todo esse circo. Haja vista a instituição necessitar de ajuda monetária para a continuidade das transmissões, por que não repassar o ônus aos patrocinadores das etapas, os reais detentores da renda grossa envolvida no surf? Livrai os fiéis seguidores da cultura surf de mais sacrifícios! De maneira alguma, esses milhares de dólares tão faltosos a ASP onerarão os cofres da Billabong, da Quiksilver e da Rip Curl. É o mínimo que essas empresas podem fazer pelos milhões de consumidores de seus produtos no mundo todo.

Além do supraexposto, a ASP promete melhorar as transmissões, proporcionando maiores benefícios aos fãs do esporte. Piada. Já assistimos em high definition, em diversos idiomas e de diferentes ângulos a todas as ondas dos eventos nos locais mais inóspitos do globo, como Teahupoo e Fiji. Existe, também, a promessa de a ASP melhorar as localidades do World Tour com as finanças arrecadadas com o pay-per-view. Piada. Todos sabemos que os responsáveis pelas escolhas das localidades dos eventos são as grandes empresas patrocinadoras dos mesmos. E elas continuarão realizando campeonatos onde existir maior benefício, seja na forma de retorno financeiro, seja numa maior visibilidade da marca.

Obviamente, muito do sucesso ou do fracasso desse projeto dependerá do valor anual cobrado. Mas arrisco-me em dizer que isso já não começou corretamente. Eu explico. A ASP, por ser uma instituição a qual não detém os direitos de imagem e transmissão dos eventos, quer buscar no pay-per-view um modo de lucrar. Mal sabe ela – ou finge não saber – que o sucesso no número de visualizações dos campeonatos pelo webcast é recente. Isso demonstra a imaturidade ainda existente no grande público espectador. Cobrar por algo que é gratuito espantará milhares desses jovens e incipientes admiradores. “Pagar para ver campeonato de surf? Quando consigo ligar, assisto a umas duas baterias e já tenho de voltar ao trabalho e aos estudos”, pensariam alguns. Outros: “Gastarei dinheiro para acompanhar eventos os quais, não raramente, ocorrem de madrugada. Preciso dormir, oras! Não sei se vale o gasto”. Ainda outros: “Quando estou no computador à toa, ligo para olhar um pouco; não compensa pagar por alguns minutos de distração”. Posso estar, completamente, enganado, mas creio que, apenas, uma desprezível porcentagem dos atuais espectadores optarão por pagar o pay-per-view, ainda que vários deles a contragosto, sendo muitos desses dependentes das transmissões para trabalhar.

Havendo, desse modo, uma drástica redução no número de espectadores, essa poderá ser uma das últimas decisões da existência da ASP e do World Tour. Com a queda nas visualizações, as grandes empresas patrocinadoras perderão muita visibilidade do seu produto, podendo não mais ser lucrativo e benéfico continuar o financiamento e a promoção de etapas. Logicamente, esse é um pensamento extremista. Espero que não chegue a tal ponto. Entretanto, a ASP precisa entender que ela não é uma instituição poderosa, formadora de opinião e de multidões de seguidores dogmáticos como é a NBA ou a NFL. Estas duas instituições são, sim, suficientemente grandiosas para cobrar pelas transmissões, haja vista serem detentoras de muitos mais anos de história e tradição, além de possuírem muitos milhares de fãs, a mais do que o surf de competição, ao redor do mundo.

A instalação do pay-per-view no World Tour da ASP, portanto, terá um efeito inverso ao planejado. As perdas de público serão, imensamente, mais pronunciadas e dolorosas do que o benefício obtido com as esmolas recebidas. É pouco dinheiro envolvido para um risco tão grande. A ASP depende dos espectadores, justamente o elo mais fraco da corrente (público – ASP – empresas patrocinadoras). Se a mendicância da ASP é tão necessária para a sua sobrevivência, posso garantir que mendigo ela não sabe ser. Está pedindo esmola às pessoas pobres em vez de pedir às ricas.

Muito obrigado a todos,

Lohran Anguera Lima.

Pay-per-view no World Tour, estou pagando para ver.

Publicado por: Lohran Anguera Lima | 20/03/2012

Ainda não, Stephanie Gilmore

Stephanie Gilmore. Foto: Kenworthy.

Com, apenas, 24 anos de idade, a australiana Stephanie Gilmore já acumula, no currículo, quatro indiscutíveis títulos mundiais. Um brilhante e ininterrupto reinado no período entre 2007 e 2010. Em 2011, a história não se repetiu: a havaiana Carissa Moore, com delicados 18 anos de idade na ocasião, tomou, com incríveis aéreos e surpreendentes inversões de rabeta, a coroa da, até então, detentora suprema da mesma. Muito se elogiou a modernidade com a qual Carissa manobrava, característica não tão evidente em Stephanie, o que poderia ser, ao olhar de muitos, um caminho sem volta, ou seja, a redução drástica na chance de a australiana se restabelecer no poder. 2012 começou com uma vitória da aussie. Seria Carissa, então, uma estrela cadente? Será este o ano do retorno da australiana? Estrelas cadentes, ao cortarem o céu, abrilhantam nossos olhos, porém somem sem deixar vestígios. Pois, digo-lhes que não! Carissa Moore não será uma estrela cadente, e acredito que este, ainda, não será o ano do retorno de Stephanie ao lugar por ela habitado durante quatro consecutivos anos.

Há quase um ano, mais precisamente após ser eliminada da etapa brasileira do mundial em 2011, Stephanie Gilmore chorou. Certamente, o referido ano não foi fácil para a tetracampeã mundial. No final de 2010, fora agredida ao chegar a sua casa na Austrália, tendo fraturas no punho, além de um tremendo dano psicológico pós-traumático. O ano seguinte começou com uma supremacia alternada entre Carissa Moore e Sally Fitzgibbons, sem que deixassem qualquer chance para Stephanie Gilmore participar da brincadeira. Aquele choro em 2011 ocorreu pelo fato de ela não mais ter possibilidades de alcançar as primeiras colocadas do ranking e disputar o título mundial. Preferiu não conceder entrevistas e se isolar no seu mundo cinzento. A “happy Gilmore” estava longe de ser aquela dos últimos quatro anos. Chorou pelo terrível ano que teve. Foi um desabafo. Talvez uma epifania também, tanto que no último evento do ano, finalmente, conseguiu derrotar Carissa, sagrando-se campeã do Roxy Pro Biarritz 2011; além disso, começou este ano vencendo o Roxy Pro Gold Coast na Austrália, enquanto Carissa nem perto da final chegou. Sem desmerecimentos ao título da australiana, indubitavelmente o seu percurso foi mais fácil do que o percorrido pela havaiana nesse primeiro evento. Esta enfrentou uma forte adversária já nas quartas-de-final, enquanto o mesmo só ocorreu com aquela na semi-final.

Exatamente, caros leitores. Mesmo Stephanie Gilmore tendo vencido os dois últimos eventos (o último de 2011 e o primeiro de 2012), acredito que este ano será, como no ano anterior, um de poucas glórias a australiana. Carissa, por outro lado, embora tendo de se contentar com um quinto lugar no primeiro evento do ano, ainda é a atleta mais plástica e moderna no quesito manobras, possuindo um vasto arsenal de inversões de rabeta e sempre jogando mais água para o alto do que qualquer outra adversária. Mesmo o tour estando mais disputado que nunca, Carissa ainda leva vantagem técnica sobre as outras. Basta ela aplicar isso nos momentos corretos. Destaco o fato de várias surfistas do tour apontarem a australiana Sally Fitzgibbons como uma grande favorita. De fato, Sally tem potencial para merecer esse crédito. Aliás, é muito provável que 2012 seja mais um ano disputado entre Carissa Moore e Sally Fitzgibbons, tal como foi 2011. Talvez com alguma pitada de Tyler Wright e Stephanie Gilmore. Sobre a Coco Ho, eu nem me preocupo em saber onde está, nunca ganha nada mesmo. Vive na sombra do nome do pai. Silvana Lima, infelizmente, está longe de ameaçar as grandes. Alana Blanchard saiu, deixando Laura Enever sem uma grande amiga. Courtney Conlogue treina mais dura e regradamente do que todas as outras, mas falta algo para se despontar. Já Carissa Moore e seus ainda delicados, mas agora 19 anos, continuam liderando as minhas apostas.

Muitos discordarão do que escrevi, alguns outros concordarão. O fato irrefutável é que nunca foi tão animador e interessante assistir às mulheres competirem. São tantos talentos, tantos nomes interessantes, muitos deles com um fantástico apelo de mídia. Finalmente podemos dizer que há um circuito mundial feminino digno. As meninas saíram de trás da cortina para virar protagonistas do show. Eu gosto disso, acho bonito. A havaiana Carissa Moore, surfista a ser superada, também não deve ter o que reclamar da atual situação do surf de competição feminino. Que as outras surfistas saibam aproveitar esse momento de ascensão, inclusive Stephanie Gilmore, mesmo que este, ainda, não seja o ano da retomada do título mundial.

Muito obrigado a todos,

Lohran Anguera Lima.

Carissa Moore. Foto: frame Leave a Message.

Publicado por: Lohran Anguera Lima | 22/02/2012

Pororoca, Surfando na Selva – Serginho Laus

Pororoca, palavra de origem indígena, proveniente do termo “poroc poroc”, significa destruidor, grande estrondo, consoante ao dialeto das tribos do baixo rio Amazonas. Fluindo pelas mais temidas águas dos setentrionais rios brasileiros e águas doces de outros sítios do globo, mais precisamente sobre as ondas das pororocas, Serginho Laus construiu sua vida e uma obra-prima: o livro Pororoca, Surfando na Selva.

Pororoca no rio Araguari (AP). Foto: Bruno Alves.

Publicado em 2006, pela editora Ediouro, Pororoca, Surfando na Selva é uma obra ousada, rica e essencial. Serginho Laus, jornalista por formação, trabalha o vernáculo com tal maestria, de modo a deixar o leitor embutido em quaisquer aventuras descritas no livro. Os detalhes minuciosos nas descrições dos fatos e acontecimentos são destaque e elemento indispensável para o indiscutível sucesso das mais de 200 páginas. Engana-se, leitor, caso pense ser, apenas, um espectador ao folhear as páginas. Será algo além, parte integrante. Sentar-se-á dentro das voadeiras prestes a ter o motor inoperante, a instantes da chegada da pororoca; naufragará e encalhará junto a paupérrimas embarcações; não conseguirá dormir, apavorado com o barulho assustador, estrondoso e destruidor da pororoca noturna; espantará mosquitos, caso também tenha esquecido-se de vacinar-se contra a febre amarela; prenderá a respiração durante longos e sufocantes caldos, em barrentas, selvagens e impiedosas águas no meio da selva; passará perrengues na sempre dispensável companhia de onças, jacarés, piranhas, tubarões, arraias, cobras e candirus; além de inúmeras outras situações, notavelmente, preocupantes e desagradáveis.

A obra em questão inicia-se, brilhantemente, com um prefácio redigido por Edinho Leite. Além dele, vários outros grandes nomes do surf nacional, como Rico de Souza, Teco Padaratz e Ricardo Tatuí, deixam os seus relatos, engrandecendo todo o digníssimo e autossuficiente conteúdo de Pororoca, Surfando na Selva. Em seguida, os leitores são presenteados com ilustradas e elucidativas páginas, explicando o que é a pororoca, como ela se forma, além de todos os detalhes técnicos necessários para compreendê-la corretamente. Alguns pontos a registrar: a pororoca é um fenômeno decorrente de um embate, um confronto, um duelo entre as águas do rio e do mar, ocorrendo, portanto, próximo à foz dos rios. Ela ocorre na época dos equinócios (de fevereiro a maio – outono –, e de agosto a setembro – primavera –), principalmente quando há lua nova ou lua cheia, explicação por conta dos princípios físicos da atração gravitacional. Vale ressaltar que a pororoca é uma onda a qual ocorre uma vez durante o dia e outra durante a noite, sempre na maré enchente. A partir disso, podemos concluir que esse fenômeno ocorre quando a água do mar vence a água do rio na guerra de forças, formando, consequentemente, uma onda que segue à montante do rio, ou seja, que sobe o rio. Portanto, surfar a pororoca é ficar de costas para o mar e adentrar na selva.

Pororoca no rio Araguari (AP). Foto: Toninho Jr.

A segunda parte de Pororoca, Surfando na Selva consiste num belíssimo e inesquecível diário de viagens. Serginho Laus vale-se de muita emoção, empolgação e realismo para prender a atenção do leitor, sugando-o para dentro de cada história e aventura, sem pedir licença nem permissão, apenas injetando-lhe na mente boas doses de admirável português, objetivando que cada qual se delicie com as suas de adrenalina.

Explicadas as condições de formação da pororoca, é possível perceber, logicamente, que a sua existência não se restringe ao Brasil. A própria obra, inclusive, cita pororocas estrangeiras, como: mascaret (França), servern bore (Inglaterra), black dragon (China), turn again (Alasca). Há notícias, também, de pororocas na Indonésia (seven ghosts), na Índia, na Malásia e na Austrália. Entretanto, Serginho Laus, pessoalmente, confessou-me que a brasileira é a maior, mais longa e mais forte onda de rio que existe. Destaco, no livro, a viagem feita à França, em 2004, para surfar a mascaret, localizada na região sul do país, próxima a Bordeaux. Muitas imagens e histórias compõem um pitoresco cenário, com castelos e vinícolas decorando o ambiente, totalmente adverso a nossa realidade: “Em vez de matas fechadas, temos marinas, casas antigas, castelos e paisagens lindas (…). Outro aspecto positivo é que não existem animais selvagens”.

Mascaret, a pororoca francesa. Foto: arquivo pessoal Antony Colas.

Serginho Laus, em 24 de junho de 2005, entrou para Guinness Book ao surfar, no rio Araguari (AP), com um longboard tamanho 9’2’’, durante 33 minutos e 15 segundos a distância de 10,1km, a maior percorrida até então. Em 2006, seu recorde foi batido pelo inglês Steve King, o qual surfou a servern bore por 12,23km ininterruptamente. A quebra do recorde mundial pelo Serginho envolveu admirável persistência de toda a equipe, inclusive física, relembra Laus: “Fiquei na mesma posição durante 10 minutos, uma eternidade. Pensei em desistir, já não aguentava mais. Sentia muita dor nas pernas e na coluna lombar. A pressão era gigantesca, mas não queria parar”. Sobre a descoberta de que havia quebrado o recorde, Laus relata: “Comecei a gritar de alegria, colocando para fora tudo o que estava preso. (…) O recorde mundial da onda mais extensa do mundo era da pororoca do rio Araguari, no Brasil. (…) Êxtase total!”. Já menos eufórico com a conquista, Serginho finaliza: “O recorde mundial foi uma vitória, mas a aventura continua!”.

Serginho Laus na pororoca do rio Araguari (AP). Foto: arquivo pessoal Serginho Laus.

Não existe uma barreira nem mesmo uma sutil separação entre Serginho Laus e pororoca. Ambos confundem-se, entrelaçam-se, amam-se. Costumo dizer ao Serginho que ele é o guardião da floresta e da pororoca, algo como uma entidade protetora. Embora a pororoca brasileira tenha sido surfada, pela primeira vez, por Guga Arruda e Eraldo Gueiros, em 1997, é na presença de Serginho Laus que ela demonstra sua gratidão por tantos cuidados ao longo das mais de 75 temporadas por ele lá vividas. Cuidados esses com a natureza, com os ribeirinhos, com os visitantes e com as tradições locais. Laus receberá uma das melhores poltronas reservadas aos que da selva tiraram o seu sustento, sem dela retirar mais nada, além de felicidade e alegria. O assento de um verdadeiro guardião da pororoca.

“A energia que envolve a floresta é mágica, e ao deslizar na onda mais longa do mundo, sua alma é purificada.” Serginho Laus.

Auera Auara,

Lohran Anguera Lima.

Pororoca, Surfando na Selva - Serginho Laus

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