Publicado por: Lohran Anguera Lima | 16/09/2010

Novíssima geração: ela aguenta o impacto?

Dedico este artigo a Fred D`Orey e a Matt Meola: ao primeiro, lendário surfista e atual colunista da Revista FLUIR, pela maneira como este – o artigo – será conduzido, isto é, baseado em hipóteses e consequências; ao segundo, pelos inacreditáveis aéreos que me fizeram perceber a possível efemeridade à qual a carreira competitiva dos jovens aerialistas, como o dito cujo, está sujeita (o vídeo de Matt Meola, inspirador do artigo, poderá ser conferido ao final deste).

Observação: nenhum estudo científico foi feito pelo autor do blog acerca do assunto em questão; são observações, opiniões, hipóteses e consequências de cunho pessoal e sem compromisso com a veracidade científica.

Primeiramente, sendo Kelly Slater o grande nome da chamada “nova geração” do surf mundial (década de 90), restou à de agora a alcunha de “novíssima geração”. É muito simples notar quem faz parte da novíssima geração: não olhe para as ondas, olhe para o céu. Esses jovens surfistas adoram tudo quanto for tipo de manobra moderna, como inverter a rabeta, por exemplo, mas incrível mesmo é como eles são fascinados pelos aéreos.

Aéreo é lindo, plástico, difícil e, atualmente, muito valorizado. No entanto, após assistir ao vídeo que ilustra este artigo e conseguir contar nos dedos quantas foram as ondas nas quais Matt Meola não deu aéreo, uma hipótese passou a rondar minhas ideias: visto que a primeira leva de garotos da novíssima geração – como Gabriel Medina, Caio Ibelli, Kolohe Andino, entre outros – ainda não cresceu, será que essa necessidade por aéreos não lhes irá ceifar parte de sua vida competitiva? É possível que sim. Vamos aos fatos.

É sabido que os saltos proporcionam um elevado estresse, principalmente, nos membros inferiores. Ao avaliarmos um salto em piso rígido, verificamos que ele é composto por dois momentos traumáticos às estruturas anatômicas: a elevação e a queda. Levando em consideração que, no surf, a elevação é feita pela velocidade do surfista proporcionada pela energia da onda, temos como único momento traumático a queda (não entenda queda como uma vaca ou um caldo, mas como o pouso com sucesso após um aéreo).

Em relação ao surf, embora muitos pensem que, por se tratar de água (uma superfície macia), não existe impacto no pouso, eu vos digo que concordo que não só a água ameniza o impacto do pouso, mas a área da prancha também ajuda a distribuí-lo. No entanto, mesmo com esses dois fatores, acredito que o impacto causado pelo pouso seja de grande relevância.

Sendo assim, sigamos um raciocínio lógico: se aéreo + pouso = impacto, e, levando em consideração que a novíssima geração foi a primeira geração doutrinada a ser, tipicamente, aerialista, ou seja, levando em consideração que o que esses garotos mais fazem quando surfam é dar aéreos, é bastante provável que eles estejam, ao longo dos anos, acumulando traumas – principalmente nos tornozelos e nos joelhos (CHIAPPA et al., 2001) – devido aos sucessivos impactos; traumas que poderão acarretar futuras lesões sérias (podendo ser lesões musculares, articulares, nervosas ou uma combinação de todas elas) ou, até mesmo, um término mais cedo da carreira competitiva. Reforçando o que foi colocado, GERBERICH et al. (1987) trazem que lesões no joelho são frequentes após a queda do salto (no pouso de um aéreo, por exemplo), provenientes do impacto e ocasionadas por torção do joelho.

Essa preocupação específica com a novíssima geração ou geração aerialista deve ser mantida e investigada seriamente. Os garotos que dela fazem parte ainda não cresceram, por isso não sabemos as reais consequências da grande quantidade de aéreos ao longo dos anos. A grande questão, provavelmente, seja investigar se os impactos provocados pelos pousos dos aéreos são significantes ou não. Espero que a resposta seja negativa, pois um modo de prevenir lesões por impacto consiste na redução do número de saltos, e eu não quero parar de conseguir contar nos dedos quantas foram as ondas nas quais Matt Meola não deu aéreo.

Muito obrigado a todos,

Lohran Anguera Lima.


Responses

  1. Misturando medicina com surf? Perfeito. Você tem futuro ;*

  2. muito bom esse video do matt meola..
    fodasso!!!

  3. Voce colocou citações, mas não encontrei as referências…enfim, muito interessante a abordagem do tema, ainda mais pelo reforço científico!

    Pode ser que futuramente treinadores de atletas olímpicos sejam contratados para ajudar a mitigar os impactos causados pelos “pousos” e quem sabe até adequar o condicionamento dos surfistas que pretendem alcançar novos ares! Será? rsrs

    Parabéns, o Near the Ocean ta show!
    Forte abraço!

    Daniel Leite.


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