Publicado por: Lohran Anguera Lima | 22/03/2011

Entrevista com Victor Ribas

39 anos de vida, vários de surf e outros muitos de sucesso. Fosse diferente, seria errôneo, gauche. Exceto a estatura, não nasceu para ser diminuto, mas para ser notado. E assim o foi Victor Ribas.

Um dos maiores nomes da história do surf nacional falou, com exclusividade, ao Near The Ocean. Gostaria de registrar, aqui, meus sinceros agradecimentos ao Victinho, visto, desde o nosso primeiro contato, ter-se portado com extrema atenção e dedicação para conosco. Sinto-me, puramente, feliz e gratificado pela entrevista concedida e pela disponibilidade encontrada para nos atender. Isso é o que diferencia figuras voláteis de eternos ícones. Apesar – novamente – da estatura, Victinho jamais correrá risco de ser volátil. Sair aplaudido da praia, ontem, na Prainha-RJ, é prova cabal para o maior dos pirronistas.

Muito obrigado a todos,

Lohran Anguera Lima.

Victinho, você foi o brasileiro mais bem colocado na história do World Tour (3º lugar, em 1999), além de ter feito três finais no circuito mundial (vencendo uma delas, em 1995) e de já ter sido campeão do WQS (em 1997). Você acha que isso foi pouco valorizado, pela mídia, ao longo dos anos, se comparado à valorização dos feitos de Fábio Gouveia e Teco Padaratz?

Acho que foi pouco explorado, sim. Mas isso foi culpa dos patrocinadores que eu tinha na época. Você sabe que as revistas sempre dão mais valor a quem anuncia com frequência e a quem faz boa política. Sobre os feitos do Fabinho e do Teco, foram grandiosos e muito importantes para o surf brasileiro. Nessa época, eu já corria algumas etapas, mas não tive um parceiro para poder seguir o circuito como o Fabinho teve; só apareci depois de algum tempo.

O Victor Ribas de 1999 (ano em que foi 3º lugar no WT) conseguiria repetir o feito em 2011?

Acho que não, pois o surf está cada vez mais disputado, e eu precisaria mudar completamente a maneira de surfar. Teria de quebrar muitas barreiras que existem há bastante tempo na cabeça dos juízes que estão no tour.

Logo no seu segundo ano de tour, você conquistou sua única vitória no WT: o Gotcha Lacanau Pro, em 1995, na França, ao derrotar o americano Todd Holland na final.  Qual é a sua lembrança mais forte desse campeonato?

Lembro-me do Piu Pereira, do Daniel Miranda, do Cheroso, do Tijolo e de outros amigos me carregando para o pódio e, depois, da galera estourando o champagne comigo no pódio. Foi mágico!

Qual você acha que tenha sido a mudança mais significativa no surf competitivo, desde a sua época como top do WT até a atualidade?

Acho que foi o valor da premiação e os critérios (de julgamento). Ambos mudaram bastante.

2007 foi o seu último ano na elite do surf mundial. Como foi pensar que não mais competiria contra os melhores do mundo após 13 anos fazendo isso? Foi difícil aceitar ou o sentimento era de missão cumprida?

No começo, achei que seria fácil voltar. Depois, acabei aceitando numa boa. Na verdade, depois que perdi a minha vaga, não entrei com tudo para voltar ao WT. Não fiz as provas mais importantes; não fiz nem a metade do tour.

Mudemos de assunto. Comente um pouco a respeito da estátua, em sua homenagem, existente em Cabo Frio-RJ. O que ela representa para você?

Para mim, ela representa uma homenagem do povo cabofriense, pois meu nome foi muito vinculado a essa cidade. Aliás, amo muito essa cidade.

Você, Victinho, sempre foi muito sereno, centrado e tranquilo. Como figura paterna, você mantém essa conduta com o seu filho Lucas?

Tento passar para ele que é superimportante tratar as pessoas com respeito e ser uma pessoa boa e de caráter. Sou muito parceiro dele. Viro uma criança quando estamos juntos. É show!

A propósito, já vi algumas fotos de vocês surfando juntos. Ele almeja ser surfista profissional como o pai? Você o incentiva para isso?

Só quero que ele sinta a vibe do surf e que um dia possamos fazer boas viagens de surf juntos.

O que faz, atualmente, Victor Ribas? Quais são seus atuais patrocinadores?

Atualmente, surfo o WQS e o Brasil Tour, além de cuidar da equipe de surf amador da marca Pier. A propósito, a Pier me patrocina e é uma das marcas mais antigas do surf brasileiro (existe desde 1972). Meus outros patrocínios são: shaper Ricardo Martins, Casa da Coluna e Surf City.

Futuro. Quais são os seus planos? Pretende continuar trabalhando com o surf?

Pretendo terminar a minha casa e fazer mais duas para alugar. Quero voltar ao Brasil Surf Pro, quero vencer o Master da ASP (em Maresias-SP) e quero, sempre, surfar bem.

Para finalizarmos, você gostaria de deixar uma mensagem, um agradecimento ou qualquer tipo de recado? Fique à vontade, o espaço é seu.

Gostaria de agradecer a todas as pessoas que acreditaram no meu potencial até hoje e àquelas que continuam a acreditar. Surf é vida, é quem um dia sonha em ser um grande surfista, é prancha boa, amigos legais, dedicação; é esquecer esse mundo das drogas. Abraços e boas ondas a todos!

À esquerda: Victor Ribas comemorando com os amigos no pódio do Gotcha Lacanau Pro de 1995. Foto: arquivo pessoal Victor Ribas. À direita: Victinho aos 39 anos. Foto: Pedro Monteiro.


Responses

  1. Iraaada a entrevista bro! Parabéns
    ALOHA
    Tiago Cardoso
    http://www.uponboard.com

  2. Dedicação, comprometimento e humildade: é o que vejo tanto no entrevistador como no entrevistado.

  3. Parabéns Lohran por mais este trabalho diferenciado (absolutamente voluntário entre as aulas de Medicina). Continue mandando bem.


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