Publicado por: Lohran Anguera Lima | 20/03/2012

Ainda não, Stephanie Gilmore

Stephanie Gilmore. Foto: Kenworthy.

Com, apenas, 24 anos de idade, a australiana Stephanie Gilmore já acumula, no currículo, quatro indiscutíveis títulos mundiais. Um brilhante e ininterrupto reinado no período entre 2007 e 2010. Em 2011, a história não se repetiu: a havaiana Carissa Moore, com delicados 18 anos de idade na ocasião, tomou, com incríveis aéreos e surpreendentes inversões de rabeta, a coroa da, até então, detentora suprema da mesma. Muito se elogiou a modernidade com a qual Carissa manobrava, característica não tão evidente em Stephanie, o que poderia ser, ao olhar de muitos, um caminho sem volta, ou seja, a redução drástica na chance de a australiana se restabelecer no poder. 2012 começou com uma vitória da aussie. Seria Carissa, então, uma estrela cadente? Será este o ano do retorno da australiana? Estrelas cadentes, ao cortarem o céu, abrilhantam nossos olhos, porém somem sem deixar vestígios. Pois, digo-lhes que não! Carissa Moore não será uma estrela cadente, e acredito que este, ainda, não será o ano do retorno de Stephanie ao lugar por ela habitado durante quatro consecutivos anos.

Há quase um ano, mais precisamente após ser eliminada da etapa brasileira do mundial em 2011, Stephanie Gilmore chorou. Certamente, o referido ano não foi fácil para a tetracampeã mundial. No final de 2010, fora agredida ao chegar a sua casa na Austrália, tendo fraturas no punho, além de um tremendo dano psicológico pós-traumático. O ano seguinte começou com uma supremacia alternada entre Carissa Moore e Sally Fitzgibbons, sem que deixassem qualquer chance para Stephanie Gilmore participar da brincadeira. Aquele choro em 2011 ocorreu pelo fato de ela não mais ter possibilidades de alcançar as primeiras colocadas do ranking e disputar o título mundial. Preferiu não conceder entrevistas e se isolar no seu mundo cinzento. A “happy Gilmore” estava longe de ser aquela dos últimos quatro anos. Chorou pelo terrível ano que teve. Foi um desabafo. Talvez uma epifania também, tanto que no último evento do ano, finalmente, conseguiu derrotar Carissa, sagrando-se campeã do Roxy Pro Biarritz 2011; além disso, começou este ano vencendo o Roxy Pro Gold Coast na Austrália, enquanto Carissa nem perto da final chegou. Sem desmerecimentos ao título da australiana, indubitavelmente o seu percurso foi mais fácil do que o percorrido pela havaiana nesse primeiro evento. Esta enfrentou uma forte adversária já nas quartas-de-final, enquanto o mesmo só ocorreu com aquela na semi-final.

Exatamente, caros leitores. Mesmo Stephanie Gilmore tendo vencido os dois últimos eventos (o último de 2011 e o primeiro de 2012), acredito que este ano será, como no ano anterior, um de poucas glórias a australiana. Carissa, por outro lado, embora tendo de se contentar com um quinto lugar no primeiro evento do ano, ainda é a atleta mais plástica e moderna no quesito manobras, possuindo um vasto arsenal de inversões de rabeta e sempre jogando mais água para o alto do que qualquer outra adversária. Mesmo o tour estando mais disputado que nunca, Carissa ainda leva vantagem técnica sobre as outras. Basta ela aplicar isso nos momentos corretos. Destaco o fato de várias surfistas do tour apontarem a australiana Sally Fitzgibbons como uma grande favorita. De fato, Sally tem potencial para merecer esse crédito. Aliás, é muito provável que 2012 seja mais um ano disputado entre Carissa Moore e Sally Fitzgibbons, tal como foi 2011. Talvez com alguma pitada de Tyler Wright e Stephanie Gilmore. Sobre a Coco Ho, eu nem me preocupo em saber onde está, nunca ganha nada mesmo. Vive na sombra do nome do pai. Silvana Lima, infelizmente, está longe de ameaçar as grandes. Alana Blanchard saiu, deixando Laura Enever sem uma grande amiga. Courtney Conlogue treina mais dura e regradamente do que todas as outras, mas falta algo para se despontar. Já Carissa Moore e seus ainda delicados, mas agora 19 anos, continuam liderando as minhas apostas.

Muitos discordarão do que escrevi, alguns outros concordarão. O fato irrefutável é que nunca foi tão animador e interessante assistir às mulheres competirem. São tantos talentos, tantos nomes interessantes, muitos deles com um fantástico apelo de mídia. Finalmente podemos dizer que há um circuito mundial feminino digno. As meninas saíram de trás da cortina para virar protagonistas do show. Eu gosto disso, acho bonito. A havaiana Carissa Moore, surfista a ser superada, também não deve ter o que reclamar da atual situação do surf de competição feminino. Que as outras surfistas saibam aproveitar esse momento de ascensão, inclusive Stephanie Gilmore, mesmo que este, ainda, não seja o ano da retomada do título mundial.

Muito obrigado a todos,

Lohran Anguera Lima.

Carissa Moore. Foto: frame Leave a Message.


Responses

  1. Dale Lohran! Muito bom o artigo, e também concordo com o que tu pensa sobre o surf da Carissa, ela tá quebrando, e agitando também, tem aparecido mais nas mídias do que as outras.

    Vou postar tua release amanhã no UPONBOARD.

    Abraço


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