Publicado por: Lohran Anguera Lima | 04/07/2012

O meu parecer sobre a FLUIR Stand Up

FLUIR Stand Up, Edição 1.

Tenho ciência que existe uma não remota possibilidade de alguns amigos da FLUIR ficarem chateados com as minhas palavras que aqui seguem. A eles, digo que o depoimento subsequente não é uma crítica ferrenha, daquelas sem possibilidade de reversão. É um simples parecer. Há críticas? Há, sim. Mas são críticas com o intuito de melhorar a revista e auxiliar o desenvolvimento da mesma. Coisa de amigo para amigo, sem chateações ou ofensas.

Eu não sei quem teve a ideia de lançar a FLUIR Stand Up, mas, pelas entrevistas que pude ver, foi concepção do Claudio Martins de Andrade, o Claudjones, chefão do grupo FLUIR/Waves. Então, quando o negócio vem lá de cima, quem é o super-herói que se mostrará contrário e brigará dizendo que ainda não é o momento certo para se lançar um projeto como esse? Ao menos, é como isso me tem soado. Tem mesmo que incentivar e fazer o melhor trabalho possível. Vejo esse lançamento precoce da FLUIR Stand Up como uma maneira de cercar e abocanhar um mercado o qual estará preparado só daqui alguns anos. É aquela coisa: quem larga na frente tem certa vantagem. Mas isso pode significar, não dificilmente, dias tempestuosos e instáveis. Se eles conseguirem fazer que a embarcação não vire, encontrarão valiosas terras futuramente. Aguentem a tormenta!

Algo que me chamou a atenção foi a falta de autoria em quase todas as matérias, o que me faz pensar que foram, praticamente, todas escritas pela mesma pessoa. Colocar o mesmo autor em todas as matérias, infelizmente, passa uma má impressão, afinal fica o questionamento: cadê a variedade de ideias, pontos de vista e experiências?

Foto: Embry Brucker

As matérias e os artigos são muito curtos em extensão e com pouco conteúdo a acrescentar. Parece-me que o assunto stand up paddle ainda é muito restrito e limitado. Esses tais de SUP fishing, SUP yoga e coisas do tipo não vão colar. Isso não é culpa da revista, mas apenas uma limitação de um esporte recentemente redescoberto. O foco terá de ser nas competições (race, travessia e SUP wave), nas matérias de remadas pelo mundo, fotos com grande apelo visual e dicas para os praticantes (tanto de saúde quanto de equipamento). Nada muito além disso, por enquanto.

Acredito que não haja tanto conteúdo para ser uma publicação mensal. Embora eu não seja adepto de publicações trimestrais, pois o longo tempo sem contato faz-nos esquecermos delas, talvez seja uma boa opção para não publicar edições com conteúdo mitigado e inexpressivo.

Todos já conhecemos os benefícios e as possibilidades do stand up paddle (chegar a lugares remotos, remar em dias sem onda, remar em lagos e lagoas, remar com alguma companhia, entre outros), assim como sabemos do crescimento meteórico pelo qual o esporte vem passando, mas parece-me que, ao final de todas as matérias, a revista tenta incentivar o leitor a praticar o SUP, baseado nesse boom da modalidade, o que se torna repetitivo em certas ocasiões, além de não ser um argumento muito apreciável, haja vista a quantidade de praticantes não ser o motivo por eu resolver dar as minhas remadas. Se você é o tipo de pessoa que será convencido pelo argumento da quantidade, é também aquele que vota no político o qual está vencendo nas pesquisas pré-eleição. Sinceramente, encontrem um outro motivo para iniciarem no SUP, qualquer outro, essa de ser mais um porque “todo mundo pratica” me soa muito influenciável.

Laird Hamilton no Tahiti

Se por um lado, esperamos uma bela produção de gráfica e de conteúdo, por levar o nome da FLUIR, por outro lado, temos de ter paciência com o que foi apresentado. Foi a primeira edição, ou seja, algo incipiente, algo que ainda está em gestação.

Essa edição número 1 deixou bastante a desejar, a meu ver. Embora com bonitas imagens e algumas informações novas, o conteúdo foi quase, plenamente, introdutório. Fizeram uma introdução e uma apresentação do SUP para os leitores. Aceitável por ser a primeira edição, mas que fique claro uma coisa: os leitores da FLUIR Stand Up são os mesmos da FLUIR (pois aquela será encartada juntamente com esta durante um ano), logo cientes e conhecedores da modalidade em sua maioria. Não vejam, leitores, o primeiro comentário deste parágrafo como uma crítica, mas como um elogio. A FLUIR é competente no que faz, por isso esperamos sempre o melhor quando seu nome está envolvido.

Acerca desse encarte gratuito junto a FLUIR, acredito que seja a maneira de emplacar a revista e o gosto por essa leitura diferenciada nos leitores. Tem potencial para caminhar sozinha? Baseado na primeira edição, não. Mas sei que tem muita coisa boa por vir. Acredito e aposto nisso. Não podemos avaliar definitivamente um projeto tão recente, inovador e promissor como esse pela primeira edição apenas. Assim, tenho certeza de que a FLUIR Stand Up alcançará o público desejado, de modo a ser vendida, com muito sucesso, separadamente, após um ano de vida. Desejo isso. O público consumidor existe (ou existirá em quantidade suficiente para isso daqui alguns anos), e a ideia já foi colocada em prática. Basta que ambos se encontrem e resolvam remar juntos. FLUIR Stand Up, agora é com vocês!

Também acho que escrevi e critiquei muito para uma revista que só lançou a primeira edição. Deixemos que eles trabalhem em paz agora. Go hard, FLUIR Stand Up! E essa é uma torcida sincera. Coisa de amigo para amigo.

Muito obrigado a todos,

Lohran Anguera Lima.

Stand up paddle em Veneza, Itália


Responses

  1. Fala Lohran, realmente o encarte nao tem muito conteudo editorial, mas se tratando do unico meio impresso sobre o Sup, acho q valeu a pena.
    Veja bem, ha muito tempo q a banca deixou de ser uma forma de ganhar $$. O q sustenta qualquer publicacao sao os anuncios. E isso, o encarte teve. Achei uma bela jogada comercial q pode fazer com q muitos praticantes de sup comprem a Fluir por causa deste encarte, dando retorno para quem anunciou.
    E obvio q com o tempo as pessoas vao exigir mais

    • Meu querido amigo Alex,

      Você há de concordar comigo que, se as vendas da revista nas bancas não geram lucro para a FLUIR, são elas que geram os anúncios os quais financiam a revista. Os anunciantes precisam das vendas para conseguir visibilidade.

      Parece-me simples: sem um bom conteúdo editorial, não há vendas; não havendo vendas, os anunciantes não obtêm um retorno ou uma exposição satisfatória, visto não conseguirem atingir o público alvo; essa redução ou ausência de exposição os faria parar com os anúncios, obviamente, deixando a revista carente de verbas.

      Assim, não vejo outra forma de isso acontecer. Um bom conteúdo nas páginas da FLUIR Stand Up será primordial para a sobrevivência, e posterior sucesso, da revista, haja vista sua dependência nos anunciantes, estes vorazes por visibilidade. É um encadeamento lógico. E quem começa essa corrente é o conteúdo de qualidade. Não tem como fugir disso.

      Forte abraço.

  2. Amigo é amigo, negócios à parte…errado!
    Bacana sua colaboração a Fluir. Espero que seus amigos da Fluir estejam atentos às opiniões dos consumidores, já que são estes o objeto final da publicação. Não se preocupe, sua posição crítica não causará chagas nos amigos, pelo sentido contrário, negócio é negócio, amigos à parte.
    Parabéns!

  3. Bela materia esclarecedora e parabéns por colocar CONTEÚDO, em primeiro lugar, frente ao comercial, que pensa ser o coração dos veiculos impressos. Good Job!


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