Publicado por: Lohran Anguera Lima | 22/02/2013

E então é hora. Não de mudar, mas de parar.

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20 meses e 20 edições. Esse foi o tempo em que estive junto à Revista PARAFINA. Mas, hoje, esse período chega ao fim. Não por vontade própria. Lógico que não. Jamais viraria as costas a quem até mim veio de braços abertos. Infelizmente – ou talvez felizmente –, essa tão simpática publicação mensal deixará de ser publicada. Motivos para isso? Acredito que existam vários. E os apoio.

Há um mês, escrevi o artigo “Quando a chama quer se apagar”. Sei que não foi determinante para a decisão de interromper a vida da PARAFINA, mas creio que ilustra perfeitamente o cenário o qual envolve o seu sepultamento. Sepultamento não. É um vocábulo muito carregado de tristeza para algo que me trouxe, quase na totalidade, apenas alegrias e satisfação. Mas a ideia é, basicamente, esta: muito trabalho e pouco retorno.

Lembro-me do primeiro e-mail que recebi do ora editor da referida revista Rodrigo Oliveira em algum horário muito feliz do dia 16/03/11: “Textos muito bons! Se desejar, já entram na próxima edição! Caso deseja adentrar na ‘gang’ da Parafina, seja bem-vindo!”. Tempos depois, o Rodrigo saiu da PARAFINA. Mas, indubitavelmente, tenho um carinho imenso por ele, afinal foi quem me trouxe não à “gang”, mas à família PARAFINA. Muitíssimo obrigado, Rodrigo!

Após a saída do Rodrigo, confesso que me senti um pouco desapadrinhado. Mas jamais órfão. Pois apareceria, na época, a figura de uma mãe muito atenciosa, preocupada e simpática com os seus filhos colunistas. Eloise Malvessi. Cabia a ela a função de nos impor datas para a entrega dos textos mas também a sensibilidade de aceitar os não incomuns atrasos de alguns dias. “Eloise, posso entregar o texto uns três dias depois do previsto?”. Isso nunca me foi negado. E, também, nunca me faltou carinho e compreensão por parte dela. Obrigado, Eloise! Perdão pelo pedido de prolongamento da data de entrega deste texto. Como é o último, não poderia ser diferente. Você entende.

Com a saída do Rodrigo e a emersão da Eloise, passou a ser evidente, também, a figura do chefão André Altmann. Chefão, pois eu recebia, frequentemente, e-mails da distinta pessoa com comentários, críticas e avaliações dos meus textos. Ora parabenizava, ora desestimulava. Ora concordava, ora discordava.  Fazia-me feliz quando eu sentia que ele havia sido tocado por algum artigo meu. Parecia que ele não se continha, necessitava desencarcerar da alma a mesma revolta que me despertara a inspiração para escrever. E André o fazia isso. A ASP, por sinal, era o nosso alvo preferido. Injúrias intermináveis sobre ela. Obrigado pela parceria, André!

Com Fábio Perroni, o verdadeiro artista visual da PARAFINA, não tive tanto contato. Mas o pouco que tive me provou o quão brilhante ele é. Durante todo esse tempo na revista, em apenas um momento encomendei uma arte para um texto meu. O título era “Recompensa no velho oeste” e tratava de uma história relatada a mim pelo próprio protagonista Gary Linden em busca da sua prancha perdida na costa oeste americana. Saiu na edição número 40 (setembro de 2011). Sugeri que o Fábio estilizasse a publicação com o contexto do velho oeste americano. Cartazes de recompensa, armas características da época e papel envelhecido. E ele, genialmente, conseguiu reproduzir exatamente como eu imaginava. Incrível e memorável, Fábio!

Sim, meus caros leitores, este é o último texto do Near The Ocean na tão querida Revista PARAFINA. De uma hora para outra, passo a não mais ter o “compromisso” de enviar, mensalmente, meus textos aos editores. É um término que deixa tristeza e um certo vazio. A PARAFINA já fazia parte da minha rotina. Curioso que o editorial da primeira edição da qual participei traz algo semelhante: “A PARAFINA não difere em nada nem é especial para o tempo ou ação de mudança. Nossa mutabilidade é um fato vigente, aceito e normal, mesmo que às vezes seja duro e dolorido. E acredite, leitor, às vezes é bastante triste mudar.”  (Rodrigo Oliveira, ex-editor da Revista PARAFINA, na edição 35).

E então é hora. Não de mudar, mas de parar. Sempre me lembrarei dos 20 meses e das 20 edições. Gostaria que vocês, Rodrigo, Eloise, André e Fábio, soubessem o quanto eu tenho orgulho de fazer parte dessa equipe e dessa revista. Muito obrigado a todos pelo grande aprendizado. Muito obrigado, principalmente, a você, leitor, por ter nos acompanhado durante esse caminho. E, enquanto a chama não se apagar neste que vos escreve, continuarei publicando no Near The Ocean.

Muito obrigado a todos da eterna família PARAFINA,

Lohran Anguera Lima.


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