Publicado por: Lohran Anguera Lima | 28/02/2013

Supremacia FCS

Este artigo foi publicado no Site Waves.

fcs kelly

Kelly Slater

Jonathan Launais, mais conhecido como Jon, carioca, residente há vários anos na Califórnia, mais precisamente em San Diego, é o pé do Brasil dentro de uma das mais bem sucedidas empresas de equipamentos para surf, a Fin Control System (FCS).

Com sede na Austrália, a FCS foi idealizada e desenvolvida em 1994, porém patenteada, apenas, no ano seguinte. Atualmente, é a empresa de maior sucesso e respeito quando o assunto é quilha. Não à toa, é de onde provém a maior parte do seu lucro anual, além de artigos como leashes e decks, os quais contribuem, significativamente, para a renda da empresa.

Certo. Mas onde entram San Diego e Jon nessa história toda? Simples. Um dos motivos pelo grande sucesso da FCS é a descentralização, a qual otimiza a distribuição dos produtos e facilita o conhecimento logístico e a demanda da região atuante. San Diego foi escolhida como a sede da FCS nas Américas, e Jon Launais é, atualmente, representante de vendas na Surf Hardware International, empresa a qual detém, dentre outros negócios, a FCS. Hossegor, na França, é, por exemplo, a sede da FCS na Europa. Dessa maneira, todos os produtos FCS encontrados nas três Américas passam por San Diego, e todos os compradores das três Américas fazem negócios com o Jon. A facilitação na distribuição dos produtos com essa descentralização torna-se tão evidente e impressionante que, se você estiver na Califórnia e realizar o pedido de algum produto FCS, receberá a entrega em sua casa em até 24h.

E foi nessa sede em San Diego que Jon me recebeu numa ensolarada manhã de sexta-feira. Passamos algumas horas juntos. Ele me mostrava os gigantescos estoques de quilhas que seriam encaminhadas aos mais diversos destinos nas Américas enquanto conversávamos sobre vários assuntos, desde sua graduação até o motivo do relativo insucesso de Kolohe Andino.

Numa dessas, perguntei se a Dakine os incomodava. Sem titubear, Jon acertou com a cabeça e confirmou com palavras “Incomoda muito!”. Segundo ele, a Dakine é uma concorrente direta da FCS com relação às capas de prancha e às mochilas (com relação às quilhas, ninguém ameaça a FCS, por enquanto). A explicação para isso assume extrema lógica quando tomamos consciência de que a Dakine fora adquirida pela gigante Billabong. Assim, todo o processo de fabricação torna-se facilitado, principalmente as etapas de impressão e costura, haja vista a Billabong já possuir todos os equipamentos e conhecimento necessários para efetuar tal atividade. Assim sendo, a FCS não mais concorreria com uma empresa de pequeno porte chamada Dakine, mas com uma de grande porte chamada Billabong. Isso reduz, expressamente, as condições de expansão da FCS. Não há possibilidade de altos investimentos nesses setores de concorrência “desleal” como o das mochilas e das capas de prancha, pois o risco de obter prejuízo é altíssimo. Com isso, a Dakine cresce a passos largos e a FCS a passos médios. Uma capa de prancha custa entre 150 e 400 dólares, um jogo de quilhas entre 50 e 80. Perceptível a preocupação? Creio que sim.

Entretanto, de forma alguma isso significa que a FCS não tenta ingressar e brigar no mercado de artigos dos quais não detém a supremacia. Ela produz capas de prancha e mochilas (muito boas por sinal), porém não é um ataque avassalador ao mercado. É algo comedido, pois se o novo negócio não der certo, não se perde muito dinheiro. Se houver sucesso no novo negócio, pode-se investir mais. É assim que funciona, explicou Jon. Ainda assim, insisti na indagação “E se não der certo, vale o dinheiro gasto? Não seria mais coerente manter o foco nas quilhas, já que é algo certo e garantido?”. Jon acabou com as minhas perguntas a respeito: “Esse dinheiro investido é muito pouco perto do lucro da FCS. Vale a pena o risco sim. Se não der certo, a gente nem sente financeiramente”.

Além do supracitado, a FCS busca inovar e trazer melhorias nas suas já consagradas quilhas. O Project Green Flex produz quilhas a partir de carpete. Quando questionado sobre o desempenho dessas em comparação às tradicionais, Jon afirmou que diferença alguma existe. A propósito, nessa mesma sede em San Diego existe uma sala própria para testes. Outra novidade a qual me fora apresentada consiste no novo sistema de encaixe de quilhas FCS. Esqueça, meu caro leitor, aqueles pequenos parafusos os quais sempre perdemos na hora de fixar as quilhas. Um novo sistema de encaixe já está sendo usado, totalmente sem parafusos! Isso permite que você as troque com o seu amigo dentro do mar, proporcionando testar diferentes equipamentos, além de evitar a chata situação de ver sua prancha sem um copinho, arrancado juntamente com a quilha, após uma vaca. Esse sistema facilita a saída da quilha quando pressionada no sentido da rabeta em direção ao bico. Sim, você perderá a quilha, mas não quebrará a prancha. E é só ir a qualquer loja de surf e pedir por quilhas avulsas. Muito provavelmente, o dono da loja terá um saco enorme com vários modelos, e é só você pegar a que precisa. Custo zero. Pelo menos na Califórnia é assim.

O sucesso mundial da FCS é inquestionável. Indubitavelmente, é a marca número 1 quando tratamos de quilha. São vários modelos, cada um para determinado tipo de onda, para cada específica característica do surfista, para cada diferente objetivo a ser alcançado sobre a prancha. O time FCS, a propósito, é de causar medo e inveja a qualquer outra empresa que ouse fabricar quilhas. Nomes como Mick Fanning, Gabriel Medina, Julian Wilson, Adriano de Souza, CJ e Damien Hobgood compõem a equipe. Mark Richards e Tom Carroll são embaixadores da marca. Apenas por curiosidade, os primeiros nomes, por serem atletas WCT, possuem carta branca com a FCS: se precisam de mais quilhas, quaisquer que sejam, é só enviar um e-mail pedindo; o mesmo acontece com qualquer outro artigo FCS.

Caso eu não o tenha convencido, caro leitor, acerca do poder e do sucesso da FCS perante o mundo do surf, sugiro uma visita à sede em San Diego. Jon, certamente, convencê-lo-á.

Muito obrigado a todos,

Lohran Anguera Lima.


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