Publicado por: Lohran Anguera Lima | 22/08/2012

Wave House, um lar de genialidade

Wave House. Foto: arquivo Wave Loch.

Wave House – Um sabor do estilo de vida de praia”. Esse é o slogan da Wave House, grupo designado a disseminar as sensações da Califórnia e o surf pelo mundo inteiro. “Quando a praia está fora do alcance, a Wave House é o lugar onde a ação dentro da água não para”, continua nos provocando.

Com mais de 100 FlowRiders espalhados pelo mundo e, atualmente, com 6 Wave Houses instaladas (Durban – África do Sul; San Diego – Estados Unidos; Santiago – Chile; Singapura – Singapura; Saragoça – Espanha; e Maiorca – Espanha), o grupo é supremacia inquestionável quando o assunto é ondas estáticas.

Engana-se quem pensa que apenas de ondas estáticas vivem as Wave Houses. Há praça de alimentação, extenso espaço para shows, música ao vivo, DJs, drinks e decks para assitir aos surfistas. Podem ser alugadas para eventos, inclusive noturnos. Enfim, um verdadeira festa com ondas! Uma boa ideia para passar um final de semana diferente com os amigos, não?

Patenteada pela Wave Loch, empresa referência em ondas artificiais, a tecnologia usada para tanta diversão consiste, basicamente, em potentes jatos de água que percorrem, contra a gravidade, uma superfície lisa e levemente elevada. Esse mecanismo permite que o surfista permaneça em equilíbrio (num embate entre a força da gravidade – que o impele para baixo – e a força dos jatos de água – que não o permite ser vencido pela gravidade).

É muito provável que você, caro leitor, já conheça essa fascinante tecnologia. Aos desprovidos de tal conhecimento, sugiro que o busque. E fascinante me parece muito sutil para tanta genialidade.

Kelly Slater na Wave House. Foto: arquivo Wave Loch.

Recentemente, durante o Mr. Price Pro Ballito, etapa prime do calendário da ASP disputada na África do Sul, vários atletas aproveitaram os dias sem competição para usufruir das dependências da Wave House de Durban. Situada dentro de um shopping center, o Gateway Theatre of Shopping, essa Wave House, além de flowriders com diferentes dificuldades, conta com o maior skate park da África do Sul  – projetado por Tony Hawk –, e com uma estrutura de quase 23 metros para escalada, chamada The Rock – a maior estrutura indoor de escalada do mundo.

Aos surfistas, a principal atração é o famoso D-Rex, um point-break duplo, ou seja, para os dois lados, proporcionando longos segundos dentro de tubos artificiais.

Em certa oportunidade, conversei com os atletas que lá estiveram, e, frente aos relatos obtidos, surgiu-me a ideia de colocá-los num artigo. Confira os depoimentos de Thiago Camarão, Ricardo dos Santos, Luke Davis, Bernardo Pigmeu, Wiggolly Dantas, Jean da Silva e Jano Belo sobre a Wave House de Durban.

Muito obrigado a todos,

Lohran Anguera Lima.

Wave House. Foto: arquivo Wave House.

Thiago Camarão

“Dessa vez, não surfei porque estava com dores na virilha. Mas surfei lá nos últimos três anos. Acho muito divertida e, ao mesmo tempo, perigosa. Eles poderiam fazer um jeito de não nos machucarmos ao cairmos. Somos levados para fora da onda pela água, que não é uma espuma como a do mar. Nessa, a gente cai e pode se lesionar. É muito mais divertido surfar no mar, sem dúvidas! Na Wave House acaba enjoando depois de um tempo. Entubar é fácil, mas dar aéreos é difícil. Eu já consegui completar alguns, o Willian Cardoso e o Charlie Brown também. Tem um pessoal que anda bem lá.”

Thiago Camarão na Wave House de San Diego, em 2011. Foto: arquivo pessoal Thiago Camarão.

 

Ricardo dos Santos 

“No primeiro dia fui lá, mas só fiquei assistindo porque tive medo de me quebrar de bobeira. Mas depois resolvi tentar também. Achei difícil, pois não sabia qual postura manter para seguir em pé na prancha. Essa Wave House fica dentro de um shopping em Durban. Muito irado! Não lembro muito bem, mas acho que custa em torno de 15 dólares a hora (120 randes, moeda local). Não consigo opinar muito porque só estive uma vez lá, mas se fosse mais parecido com uma onda normal seria bem melhor, claro. Demora um tempo até pegar o jeito. Depois de umas duas ou três seções já é possível começar a se divertir. Como eu só fui em uma, acabei apanhando bastante (risos). Mas valeu, foi divertido!”

Ricardo dos Santos na Wave House de Durban. Foto: arquivo pessoal Ricardo dos Santos.

 

Luke Davis

“Se você não está pegando boas ondas no mar, surfar na Wave House é a melhor coisa que você pode fazer! Como foi a minha primeira vez, tive bastante dificuldade. É muito diferente do surf normal, então demanda certo tempo até aprender a andar sem cair. Mas quando alguém consegue entubar direito, é possível ficar uns 10 segundos dentro do tubo! Incrível!”

Luke Davis na Wave House de Durban. Foto: arquivo pessoal Luke Davis.

 

Bernardo Pigmeu 

“Como tivemos o dia livre de competições, decidimos ir à piscina de ondas. Foi tudo muito divertido! Não consigo apontar algo de que eu não tenha gostado. Surfar lá serve como treino e diversão, mas, sem dúvidas, é mais pela diversão do que pelo treino. É bom para descontrair um pouco, sair da rotina e da pressão dos campeonatos. A única reclamação que tenho a fazer é sobre o Wiggolly ter feito uma interferência em mim nos minutos finais da bateria (risos). Estávamos entre bons amigos, foi ótimo e muito engraçado!”

Bernardo Pigmeu na Wave House de Durban. Foto: arquivo pessoal Bernardo Pigmeu.

 

Wiggolly Dantas

“A Wave House é show! Muito divertido, ainda mais com amigos! É um pouco perigoso porque pode se machucar na queda, mas a vontade de pegar tubos é tanta que a gente esquece um pouco do perigo. A experiência vale como treino e como diversão. Mas eu concordo com o Pigmeu, é muito mais pela diversão. Sobre essa interferência que o Pigmeu comentou (risos), quando chegamos à Wave House, ele estava tirando onda, aí fui obrigado a rabear né?! Lembrando que a prioridade era minha (risos). Mas foi muito legal! Saímos de lá muito animados, vale a pena!”

Wiggolly Dantas na Wave House de Durban. Foto: arquivo pessoal Wiggolly Dantas.

 

Jean da Silva 

“Achei muito irada a Wave House! A onda não para nunca! Você tem de parar porque as pernas queimam de cansaço. Lá tem vários tamanhos de onda, é possível evoluir aos poucos, o que é bom. Foi muito divertido!”

Jean da Silva. Foto: Pablo Aguiar.

 

Jano Belo 

“É muito divertido! Mas é difícil, pois não se parece muito com surf. A prancha não tem quilhas e a onda é parada. No surf normal, quase sempre estamos com o peso sobre a perna da frente, já que a onda está se deslocando. Na Wave House, como é uma onda parada, o peso tem de ficar todo na perna de trás. Até serve como treino, principalmente para a perna de trás, que fica muito cansada. É também um pouco perigoso. O Pablo Paulino já machucou sério o ombro em uma queda. Tem que ter cuidado. Mas é muito maneiro, não sei se teria algo para melhorar! Eu vi o campeão sul-africano surfando lá, ele é muito bom!”

Jano Belo na Wave House de Durban. Foto: arquivo pessoal Jano Belo.

 

Galera na Wave House de Durban, África do Sul.

D-Rex, Wave House de Durban. Foto: arquivo Wave House.

Wave House. Foto: arquivo Wave House.

Wave House. Foto: arquivo Wave Loch.

Wave House. Foto: arquivo Wave House.

Wave House. Foto: arquivo Wave Loch.

Wave House. Foto: arquivo Wave Loch.

Publicado por: Lohran Anguera Lima | 23/07/2012

Entrevista com Tito Rosemberg

Tito Rosemberg, nascido em setembro de 1946, natural do Rio de Janeiro, passou quase toda a vida viajando pelos mais diversos países dos cinco continentes. Jornalista e viajante, teve o privilégio de percorrer caminhos e rotas quase nada exploradas pelo homem. Ícone do surf nacional, Tito conquistou respeito e admiração pela alma jovem, pela vontade do desconhecido, pelo comprometimento demonstrado em tudo o que faz e pelo belíssimo trabalho desempenhado durante décadas. Eminente pessoa, um expoente e exemplo. Com vocês, com exclusividade e carinho para o Near The Ocean: Tito Rosemberg.

Muito obrigado a todos,

Lohran Anguera Lima.

Tito Rosemberg. Foto: Ignácio Aronovich / http://www.lost.art.br

Tito, você se considera mais um jornalista ou um aventureiro?

Jornalista tenho certeza de que sou. Minha compulsão em reportar o que vejo em fotos e texto é algo que vem de dentro da alma, incontrolável. Aventureiro é uma expressão que considero meio piada, pois eu nunca procurei uma “aventura”. Eu busco conhecer coisas que não estão no roteiro turístico tradicional e por isso acabo tendo que vencer algumas dificuldades para chegar lá. Eu me considero um viajante, uma pessoa que gosta da estrada, que dá de dez na “aventura” por si só. Gosto de perambular pelo mundo, passar três meses viajando de ônibus pela África meio sem rumo, quatro meses sem roteiro fixo pelo sudoeste da Ásia. É o meu tipo de viagem. Aventureiro é um cara que trabalha oito horas por dia num escritório de uma cidade grande, no fim de semana sai para pular de uma montanha e depois volta ao escritório. Não tenho o menor desejo de me arriscar, de me expor ao perigo. A emoção está na descoberta do novo e estar longe do familiar.

Como foi a sua relação com a Ditadura Militar?

Sempre fui militante político e sempre acreditei que a política é a única forma de organizarmos a sociedade. Desde cedo, participei de todos os grêmios estudantis das escolas que frequentei. Em 1964, quando o golpe militar aconteceu, eu trabalhava como repórter na Revista Manchete. Tinha apenas 17 anos, mas já sabia das coisas da organização social. O golpe de 1964 foi muito impactante na minha vida. Justo quando eu começava a ter idade para frequentar ambientes de adultos, eles foram fechados pelos militares.  Muitos amigos foram presos, conhecidos torturados. Não parti para a luta armada porque sempre fui pacifista e achava que outras estratégias deveriam ser usadas antes da violência para nos livrarmos dos militares golpistas. Acho que tomei a atitude certa e não me arrependo. Em 1969, quando a ditadura apertou, fui embora do Brasil lavar pratos em Londres.

Explica melhor essa história…

Quando os militares fecharam o Congresso, resolvi morar em Londres. Vendi tudo o que tinha aqui no Brasil, prancha, carro, roupas e até sapatos, para juntar o dinheiro da passagem só de ida. Em janeiro de 1969, parti. Fui encontrar um amigo carioca que trabalhava em restaurantes em Londres. Logo arranjei emprego num restaurante, e iniciou-se a minha carreira de lavador de pratos, que durou quase um ano. Diverti-me muito nessa época, inclusive consegui ir a um show do Jimmy Hendrix! Londres mudou a minha cabeça e o meu conceito de vida em sociedade.

Arpoador, Rio de Janeiro, em 1964. Foto: Tito Rosemberg.

Essa foi a sua primeira viagem para o exterior?

Não, a primeira viagem para fora do país foi em 1967, com meu pai, que tinha negócios na Argentina, Chile, Peru e México. Eu trabalhei uma época com ele, e essa viagem, apesar de ser a trabalho, foi muito interessante. Tanto no Peru quanto no México, consegui até alugar umas pranchas e pegar ondas.

Mas todas as suas viagens giravam em torno de procurar ondas e em torno surf, ou haver surf no local onde você estava era apenas uma grata coincidência?

Viajo para descobrir, conhecer e curtir. Se tivesse onda, era melhor, mas se não tivesse, não fazia falta. Muitas vezes tive que ficar meses sem surfar e, apesar da falta, se o lugar fosse interessante eu nem me importava. Mesmo hoje, depois de 44 anos surfando, por problemas de saúde não posso mais surfar, mas admito que não me faz falta. Já surfei muito e em tantos lugares, em ondas tão incríveis, que não posso reclamar!

E as suas andanças pela Europa, Tito, como foram?

Fiquei um ano e meio na Europa quando saí do Brasil. Assim que consegui juntar um trocado, comprei um Austin Mini, e junto com três amigos argentinos que conheci lá, saímos rodando por todo o continente. Para ganhar dinheiro, cantávamos na rua, aproveitando que meus amigos tinham dois violões e sabiam cantar muito bem o folclore latino americano. Rodamos pela França, Bélgica, Holanda, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Noruega, Áustria, Iugoslávia, Bulgária, Turquia, Grécia, Itália e Espanha. Dessa primeira vez não deu para conhecer a África, mas a semente para essa viagem estava plantada.

Sabemos que essa semente germinou, teve vida e, regada com muito espírito jovem, rendeu bons frutos e boas histórias.

Muitos lugares ficarão para sempre na minha cabeça, mas o Saara é disparado o que mais me emocionou. Passei, ao todo, mais de seis meses viajando nele e sou, até hoje, fascinado em voltar lá. Atravessei esse deserto por três vezes, em diferentes viagens e em diferentes rotas. As histórias são tantas que precisaria de várias páginas e horas para apenas começar a contar algumas delas. Por essa razão, estou escrevendo um livro de memórias, o qual poderá trazer ao público algumas fases da minha vida que realmente foram dignas de um viajante. Aqui não poderia falar delas porque me desviaria do projeto do livro. Mas tenho certeza de que quando ele for publicado, muita gente vai curtir.

Acampamento no sul do Marrocos, em 1974. Foto: Craig Peterson.

Como era o surf na Europa nessa época?

Quando cheguei a Biarritz pela primeira vez, fiquei encantado com a beleza das ondas, da natureza e das meninas. Ali começava o meu longo caso de amor com o País Basco, que até hoje não passou. Encontrei belas ondas, mas sem prancha foi difícil conseguir uma emprestada. Os franceses não queriam me emprestar. Acabei conhecendo um americano, o Bob Cooper, lendário surfista da Califórnia que shapeava na Barland & Roth, então passei a usar as pranchas dele. Junto com sua esposa, viajamos por muitas praias em busca de onda, como Jersey e Normandia. Havia pouquíssimos surfistas franceses, a maioria era de estrangeiros: australianos, ingleses e americanos. Eu era o primeiro e único brasileiro nas praias.

Acredito que você ter sido o primeiro a surfar em algumas praias do mundo não seja uma situação estranha.

Maraca e eu fomos os primeiros a surfar Geribá, em Búzios, em 1966. Pelo menos os pescadores nunca tinham visto um surfista antes. Também fui o primeiro a surfar na Mauritânia, no Saara, junto com meu grande amigo e fotógrafo da SURFER Magazine Craig Peterson. Mas, se for incluir onde fui um dos primeiros, posso citar Itaúna, em Saquarema, Macumba e Prainha, no Rio de Janeiro e também Costa do Marfim e Libéria, no litoral da África.

Navegação com bússola no Saara da Mauritânia, em 1975. Foto: Tito Rosemberg.

E a Ásia?

Só fui conhecer a Ásia em 2003, quando passei quatro meses perambulando pelos caminhos de lá, viajando de ônibus, trem, barco e carona. Fui a Bali, Cingapura, Malásia, Tailândia, Laos, Vietnã, Camboja e Índia.

Tenho certa curiosidade por lugares inóspitos. Você conhece o litoral russo, por exemplo?

Lugares inóspitos sempre foram meus alvos. Nunca estive na Rússsia, mas tenho planos! O Círculo Polar Ártico também é distante. Estive em Inuvik, uma pequena cidade do Canadá que fica mais perto do Polo Norte do que o Alasca. Gelado e lindo!

Depois de tantas viagens, Tito, qual foi o lugar que mais te marcou?

Por incrível que pareça, não tem um lugar em especial que tenha me marcado. Sem dúvida, o Saara foi o local que mais me deixou emocionado. Adorei a Grécia e os gregos, mas muitos dos lugares mudaram tanto ao longo dos anos que já não existem mais. A Califórnia, por exemplo, onde vivi por onze anos, lugar que eu adorava e me sentia nativo, hoje é tão careta que nem tenho mais vontade de ir. Acho que a minha segunda pátria é Guethary, uma pequena aldeia no País Basco francês onde as ondas são sensacionais. Lá fiz muitos amigos que me consideram “da família”. Sempre volto!

Guethary, País Basco, França. Foto: Tito Rosemberg.

Califórnia careta. Acredito que não em 1970, quando você foi para lá pela primeira vez.

A Califórnia foi uma explosão sensorial para mim. Naquela época havia a guerra do Vietnã, e os hippies dominavam a cena da praia e do interior. Foi uma época inesquecível e que marcou a minha vida para sempre. Trabalhei com alguns caras famosos, como o Donald Takayama, o Mike Doyle e o Skip Frye. Acabei ficando amigo deles. Como eu era bem mais novo, ensinaram-me quase tudo que sei sobre shape e glass.

Não se esbarrou com o Miki Dora por lá?

Quando cheguei à Califórnia, em 1970, já havia morado com o Miki Dora em Guethary, na França, na cabana de praia do Urkirola Surf Club, onde os surfistas franceses guardavam seus pranchões. Como eu havia feito amigos por lá e não tinha onde morar, eles me deixaram dormir nessa primitiva cabana durante algumas semanas. O Dora apareceu duro e sem ter onde morar também. Depois de os franceses autorizarem, ele ficou umas duas semanas acampado comigo. Ele era gente muito fina, mas totalmente bizarro. De longe se via que era um cara diferente. Conversamos e pegamos muita onda juntos. Quando cheguei à Califórnia, ele ainda estava viajando pelo mundo.

Cabana do Urkirola Surf Club, Guethary, País Basco, França, em 1969. Foto: Tito Rosemberg.

E o que tanto mudou daquela época para a atualidade?

A grande mudança, disparado, é a alienação e a futilidade dos jovens de hoje. Nesse período, não vi mudança no comportamento dos adultos porque estes, desde sempre, foram, são e serão caretas, medrosos, conservadores e tradicionalistas. Nas décadas de 60 e 70, os jovens eram contestadores, rebeldes, desafiavam o “sistemão” e buscavam novas formas de viver. Hoje, a garotada só quer acumular dinheiro, exibir brinquedos tecnológicos, ficar sarada e desafiar a morte em esportes cada vez mais desvairadamente perigosos. Os jovens estão distantes da política e dos movimentos sociais, apenas interessados numa boa carreira profissional. Uma tristeza enorme.

Tito, muito obrigado pela atenção e tempo despendidos, mas principalmente pelo carinho. Quer deixar algum recado? O espaço é seu, fique à vontade.

O único recado que eu gostaria de deixar para quem se deu o trabalho de ler esta entrevista até aqui é que não se acomodem. O segredo do gênio é levar a alegria da criança até os seus últimos dias. Evitem acomodar-se, pois o conforto é a pior droga que existe. O mundo é um enorme parque de diversões, e cabe-nos explorá-lo em toda a sua plenitude.  Quem ficar de bobeira, apenas juntando dinheiro e acumulando bens materiais, vai quebrar a cara quando chegar à velhice. Sempre me perguntei por que havia tantos velhos azedos, tristes e mal humorados. Ainda hoje, vejo-me empolgado com os tantos projetos que tenho, com as tantas lutas às quais me dedico, sem tempo sequer para me azedar ou me deprimir. Entendo que foi esta combinação de fé num mundo melhor e do interesse em muito mais coisas do que as ondas que me fez diferente. Que cada um dos leitores se toque de que só vivemos uma vez, e que viver iludido pela sedução dos bens materiais e pelo consumismo é a receita certa para uma vida jogada fora. Quem viver, verá!

Botswana, em 2009. Foto: Tito Rosemberg.

Poema da Juventude

A juventude não se mede pela idade.

Juventude é estado de espírito que se baseia no querer.

Juventude é disposição para fantasiar, a ponto de transformar em realidade a fantasia.

Juventude é a vitória da disposição contra a acomodação.

Juventude é o gosto pela aventura, superando o amor ao conforto.

Ninguém envelhece simplesmente porque viveu determinado número de anos.

Envelhece aquele que abdica dos ideais.

Assim como o passar dos anos se reflete no organismo, a falta de empolgação se reflete na alma.

O medo, a dúvida, a falta de segurança, a fuga e a desconfiança se constituem em anos que dobram a cabeça e levam à morte o espírito.

Ser jovem quer dizer ter 60 ou 70 anos e conservar a admiração pelo belo, a admiração pelo fantástico, pelas ideias brilhantes, pela fé nos acontecimentos, o desejo insaciável da criança por tudo o que é novo, o instinto pelo que é agradável e pelo lado feliz da vida. Você será jovem enquanto sua alma conservar a percepção da mensagem do belo, do simples e a disposição de viver.

Você será jovem enquanto conservar a mensagem da grandeza e da força que nos é dada pelo mundo, por um ser humano ou pelo infinito.

Você só será velho se tiver a alma dilacerada, se for dominado pelo pessimismo ou pelo cinismo. Neste caso, que Deus tenha piedade de sua alma.

[Inscrição em pedra de granito que se encontra no Parco Giardino, em Verona, e que foi publicada no livro 1000 Meilen Abenteuer, de Axel Thorer/Carlo Blumenberg Steinheim Verlag Gmbh, München.]

Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, em 1965. Foto: Tito Rosemberg.

Tito Rosemberg no Arpoador, em 1966. Foto: Gilberto Squenazi.

Praia da Macumba, Rio de Janeiro, em 1966. Foto: Tito Rosemberg.

Acampamento em Tres Marias, Baja Califórnia, México, em 1970. Foto: Tito Rosemberg.

Yosemite, Califórnia, em 1970. Foto: arquivo pessoal Tito Rosemberg.

Acampamento em Laffitenia, País Basco, França, em 1974. Foto: Tito Rosemberg.

O sempre jovem Tito Rosemberg. Foto: arquivo pessoal Tito Rosemberg.

Publicado por: Lohran Anguera Lima | 04/07/2012

O meu parecer sobre a FLUIR Stand Up

FLUIR Stand Up, Edição 1.

Tenho ciência que existe uma não remota possibilidade de alguns amigos da FLUIR ficarem chateados com as minhas palavras que aqui seguem. A eles, digo que o depoimento subsequente não é uma crítica ferrenha, daquelas sem possibilidade de reversão. É um simples parecer. Há críticas? Há, sim. Mas são críticas com o intuito de melhorar a revista e auxiliar o desenvolvimento da mesma. Coisa de amigo para amigo, sem chateações ou ofensas.

Eu não sei quem teve a ideia de lançar a FLUIR Stand Up, mas, pelas entrevistas que pude ver, foi concepção do Claudio Martins de Andrade, o Claudjones, chefão do grupo FLUIR/Waves. Então, quando o negócio vem lá de cima, quem é o super-herói que se mostrará contrário e brigará dizendo que ainda não é o momento certo para se lançar um projeto como esse? Ao menos, é como isso me tem soado. Tem mesmo que incentivar e fazer o melhor trabalho possível. Vejo esse lançamento precoce da FLUIR Stand Up como uma maneira de cercar e abocanhar um mercado o qual estará preparado só daqui alguns anos. É aquela coisa: quem larga na frente tem certa vantagem. Mas isso pode significar, não dificilmente, dias tempestuosos e instáveis. Se eles conseguirem fazer que a embarcação não vire, encontrarão valiosas terras futuramente. Aguentem a tormenta!

Algo que me chamou a atenção foi a falta de autoria em quase todas as matérias, o que me faz pensar que foram, praticamente, todas escritas pela mesma pessoa. Colocar o mesmo autor em todas as matérias, infelizmente, passa uma má impressão, afinal fica o questionamento: cadê a variedade de ideias, pontos de vista e experiências?

Foto: Embry Brucker

As matérias e os artigos são muito curtos em extensão e com pouco conteúdo a acrescentar. Parece-me que o assunto stand up paddle ainda é muito restrito e limitado. Esses tais de SUP fishing, SUP yoga e coisas do tipo não vão colar. Isso não é culpa da revista, mas apenas uma limitação de um esporte recentemente redescoberto. O foco terá de ser nas competições (race, travessia e SUP wave), nas matérias de remadas pelo mundo, fotos com grande apelo visual e dicas para os praticantes (tanto de saúde quanto de equipamento). Nada muito além disso, por enquanto.

Acredito que não haja tanto conteúdo para ser uma publicação mensal. Embora eu não seja adepto de publicações trimestrais, pois o longo tempo sem contato faz-nos esquecermos delas, talvez seja uma boa opção para não publicar edições com conteúdo mitigado e inexpressivo.

Todos já conhecemos os benefícios e as possibilidades do stand up paddle (chegar a lugares remotos, remar em dias sem onda, remar em lagos e lagoas, remar com alguma companhia, entre outros), assim como sabemos do crescimento meteórico pelo qual o esporte vem passando, mas parece-me que, ao final de todas as matérias, a revista tenta incentivar o leitor a praticar o SUP, baseado nesse boom da modalidade, o que se torna repetitivo em certas ocasiões, além de não ser um argumento muito apreciável, haja vista a quantidade de praticantes não ser o motivo por eu resolver dar as minhas remadas. Se você é o tipo de pessoa que será convencido pelo argumento da quantidade, é também aquele que vota no político o qual está vencendo nas pesquisas pré-eleição. Sinceramente, encontrem um outro motivo para iniciarem no SUP, qualquer outro, essa de ser mais um porque “todo mundo pratica” me soa muito influenciável.

Laird Hamilton no Tahiti

Se por um lado, esperamos uma bela produção de gráfica e de conteúdo, por levar o nome da FLUIR, por outro lado, temos de ter paciência com o que foi apresentado. Foi a primeira edição, ou seja, algo incipiente, algo que ainda está em gestação.

Essa edição número 1 deixou bastante a desejar, a meu ver. Embora com bonitas imagens e algumas informações novas, o conteúdo foi quase, plenamente, introdutório. Fizeram uma introdução e uma apresentação do SUP para os leitores. Aceitável por ser a primeira edição, mas que fique claro uma coisa: os leitores da FLUIR Stand Up são os mesmos da FLUIR (pois aquela será encartada juntamente com esta durante um ano), logo cientes e conhecedores da modalidade em sua maioria. Não vejam, leitores, o primeiro comentário deste parágrafo como uma crítica, mas como um elogio. A FLUIR é competente no que faz, por isso esperamos sempre o melhor quando seu nome está envolvido.

Acerca desse encarte gratuito junto a FLUIR, acredito que seja a maneira de emplacar a revista e o gosto por essa leitura diferenciada nos leitores. Tem potencial para caminhar sozinha? Baseado na primeira edição, não. Mas sei que tem muita coisa boa por vir. Acredito e aposto nisso. Não podemos avaliar definitivamente um projeto tão recente, inovador e promissor como esse pela primeira edição apenas. Assim, tenho certeza de que a FLUIR Stand Up alcançará o público desejado, de modo a ser vendida, com muito sucesso, separadamente, após um ano de vida. Desejo isso. O público consumidor existe (ou existirá em quantidade suficiente para isso daqui alguns anos), e a ideia já foi colocada em prática. Basta que ambos se encontrem e resolvam remar juntos. FLUIR Stand Up, agora é com vocês!

Também acho que escrevi e critiquei muito para uma revista que só lançou a primeira edição. Deixemos que eles trabalhem em paz agora. Go hard, FLUIR Stand Up! E essa é uma torcida sincera. Coisa de amigo para amigo.

Muito obrigado a todos,

Lohran Anguera Lima.

Stand up paddle em Veneza, Itália

Publicado por: Lohran Anguera Lima | 01/07/2012

A decisão de competir

Taj Burrow e seu técnico Johnny Gannon. Foto: Sherm.

Por volta de duas horas antes de competir na etapa brasileira do mundial de 2012, Jadson André lesiona-se gravemente (Jadson André comenta lesão). Atleta chora, técnico preocupa-se, equipe médica trabalha, e todos ficam na expectativa: ele vai competir? O que a maioria deve pensar é “se tiver condições, compete”. Entretanto, isso nem sempre é seguido, muito menos é uma verdade inquestionável. É necessário compreendermos e não negligenciarmos a existência de muitos interesses em torno do atleta. Saúde? Patrocínios? Resultados? Mídia? O que pesa mais na decisão de competir ou não? Impossível generalizar. Cada atleta com suas particularidades. Cada situação com as suas questões a serem analisadas.

Vale ressaltar que, embora o corpo médico não tivesse liberado o Jadson para competir na ocasião, haja vista a possibilidade de ocorrência de uma lesão grave, ou do agravamento da mesma, quando tratamos de atletas de alto nível, muitas vezes a opinião em prol da saúde do atleta é superada pela vontade – ou até mesmo “obrigatoriedade” – do atleta de competir. Não podemos esquecer que há muito dinheiro envolvido em torno do competidor. Um não comparecimento no momento da bateria pode prejudicar a visibilidade de algum patrocinador e, consequentemente, alguns contratos do atleta. Além disso, existe a necessidade de bons resultados para o atleta se manter no tour do ano seguinte. Deixar de competir em alguma etapa pode inviabilizar a permanência do atleta na elite do ano seguinte, caso ele não esteja com bons resultados, obviamente.

Pessoalmente, estando presente nas cenas dos fatos, não vejo a decisão de competir de Jadson como reflexo de uma preocupação contratual ou expositiva. Jadson estava, sim, preocupado com a saúde do seu joelho – tanto que procurou o centro médico em três ocasiões após a lesão –, mas por ser a etapa brasileira do World Tour, o brasileiro demonstrava explícita vontade de entrar na água, principalmente, acredito, pela torcida a qual o apoiava das areias e pelos milhares de fãs que o acompanhavam mediante o webcast.

Torcida brasileira no Billabong Rio Pro 2011. Foto: ASP/Cestari.

É muito complicado afirmar de quem é a responsabilidade de decidir se o atleta deve ou não entrar para competir. É do atleta? É do técnico? É do médico? É do patrocinador? É uma decisão tomada em conjunto? A decisão tomada em conjunto me parece ser uma boa alternativa, embora nem sempre ela se mostre possível ou mais sensata, haja vista muita coisa envolvida não ser de conhecimento total por todas as partes (atleta, técnico, médicos e patrocinadores). Por exemplo, Gabriel Medina é um que sai da sala da sua casa quando seu pai Charles senta-se com o pessoal da Nike para conversar sobre contratos e valores. Por outro lado, existem atletas que possuem técnico, unicamente, para auxiliá-los nas performances ou no posicionamento dentro da água, sem que haja relação com a papelada contratual de fora da água. Assim, como tomar uma decisão conjunta se nem mesmo existe uma equipe onipresente em torno do atleta e dos seus interesses? Quando essa equipe existe, volto a dizer: a decisão em conjunto me parece ser a melhor opção. Um atleta pode precisar se reclassificar para a elite do ano seguinte para não perder o contrato, podendo o resultado de uma bateria interferir no destino da sua carreira e, por que não, no da sua vida. Mesmo que uma decisão conjunta se mostre mais coerente, é evidente que não agradará a todas as partes e é notório que não necessariamente o correto será decidido.

Mas uma coisa é certa: a equipe médica do campeonato deve estar preparada para colocar esse atleta em condições de competir, nem que para isso ele tenha de tomar medicamentos fortes, injeções, fazer infiltrações ou passar por qualquer outro tipo de procedimento, seja ele preventivo ou terapêutico. Logicamente, nem sempre isso é possível. A lesão de Jadson, por exemplo, não foi resolvida pelo corpo médico antes de ele entrar na água, entretanto concordo que foi um pouco melhorada com a estabilização do joelho. Ou seja, o departamento médico fez o que estava ao seu alcance. O fato é que o atleta é a estrela do espetáculo. Cabe à equipe médica deixá-lo o mais apto possível para desempenhar o seu trabalho, isto é, competir.

Como integrante do centro médico, vejo um pouco de irresponsabilidade na decisão de Jadson. Como brasileiro e torcedor, orgulha-me as suas atitude e decisão de competir.

Muito obrigado a todos,

Lohran Anguera Lima.

A decisão de o atleta competir ou não cabe a quem?

Publicado por: Lohran Anguera Lima | 15/06/2012

Silvana Lima marca retorno

Este artigo foi publicado no Site Waves.

Leia também: Jadson André comenta lesão

 

Nas quartas-de-final do Roxy Pro, primeira etapa do World Tour de 2012, a cearense Silvana Lima lesionou-se, com ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho direito.

Após cirurgia, mas ainda em período de reabilitação, Silvana já tem previsão para voltar a surfar. Segundo a atleta, isso acontecerá no final do mês de agosto deste ano, quando fará uma viagem para a Indonésia com a sua marca patrocinadora.

Em depoimento exclusivo feito ao Near The Ocean, a atleta mostrou-se disposta e confiante para voltar a competir no World Tour em 2013. É bastante provável que um dos wildcards de lesão seja concedido à brasileira no ano que vem.

Muito obrigado a todos,

Lohran Anguera Lima.

Silvana Lima. Foto: ASP/Kirstin.

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